II Expedição da LAULIMA – Pisando em cacos de vidros



Petrolina, 20 de Maio de 2017

Mais uma vez nossa aventura já começou na estrada a caminho do nosso destino (talvez seja algum carma). Saímos 15hrs do sábado em 3 carros, sendo 1 alugado e esse carro estava com os pneus muito carecas, mas muito mesmo, com destino a Gruta do Sumidouro. Sem ter muito que fazer, pegamos estrada pedindo para que nada acontecesse, quando rodamos 50km, paramos para algumas pessoas irem ao banheiro e aconteceu o inevitável, um pneu estava baixando.  Resolvemos trocar logo, lá fomos nós tirar todas as bolsas do porta mala para tirar o step, quando tentamos tirar os parafusos do pneu furado, eis que surge o maior problema. Os parafusos eram de um tamanho maior do que a chave que tinha no carro, e de que qualquer padrão de carro pequeno. Como iríamos trocar essa bixiga desse pneu???? Por sorte nossa, em menos de cinco minutos passou um carro de uma empresa de manutenção, e ele tinha ferramentas no seu porta-malas. Trocamos o pneu, agradeçamos ao rapaz e seguimos viagem, já pisando em cacos de vidros, e ainda tínhamos uns 50km de estrada chão pela frente.

Enfim conseguimos chegar ao nosso primeiro destino, onde precisávamos ir até a entrada principal da Lapa do Convento para salvar um ponto no GPS. A ideia inicial era apenas salvar o ponto e seguir viagem até a Gruta do Sumidouro, porém como já estávamos lá, decidimos pegar as lanternas e entrar um pouco no Convento para sentirmos um pouco do que iriamos encarar no dia seguinte. Já sabíamos que na entrada tinha algumas abelhas e avisei ao pessoal para fazer silêncio, pois qualquer ruído acorda nossas amiguinhas. A empolgação estava a flor da pele e o silêncio foi algo bastante difícil do pessoal fazer. Mesmo com o barulho, conseguimos descer sem nenhum problema. Era o primeiro contato de alguns em caverna, e já deu para se ter uma noção da magnitude daquela caverna, a sua entrada é gigante (lembrando que essa caverna tem muita água).

Entrada da Lapa do Convento
(da esq. p/ dir. em pé: Vilela, Géssica, Mamá, John, Layanna, Daniel, Vitor Valverde, Talita, Gleidson. Ajoelhado: Thiago).
Faltaram Laira e Walter nessa foto.

Registrado o ponto e passado a excitação do momento, decidimos voltar para o carro para seguirmos viagem. O problema foi que na volta a nossas amigas abelhinhas já estavam acordadas, e com o passar do pessoal eles ficaram mais “ouriçadas”, todo mundo passou e ficou Daniel e eu para trás (vale lembrar que somos alérgicos a picada de inseto), quando chegamos na boca da caverna, só ouvi o zunido delas, ao poucos a intensidade ia aumentando e sentia mais abelhas ao nosso redor. Paramos e ficamos 5 segundos imóveis, nesse momento Daniel me fala: “adianta que tem uma caranguejeira no meio dos meus pés”. Só deu tempo de falar para voltar correndo para dentro da caverna. Era uma descida íngreme, com muita pedra. Descemos tão rápido que nem a gente entendeu direito como já estávamos lá embaixo.

Respiramos um pouco para passar a adrenalina e percebi que dava para sair pelo canto e não iriamos nos aproximar das abelhas, começamos a subir até que chegamos numa parte mais complicada em que tinha muita terra e muita urtiga, mas muita mesmo!!!! Cada passo era uma esbarrada em uma dessas plantinhas bonitinhas (-.-). Nem havíamos chegado o nosso primeiro destino e já tinha acontecido bastante coisa!

Voltamos ao carro e fui na casa de Denirval, o proprietário da Gruta do Sumidouro, para irmos montar o nosso camping. Chegando ao local, todo mundo se encantou com o local e seu tamanho. Walter e Vilela ligeiramente já visualizaram um belo rapel na gruta, demoramos um pouco até os ânimos se acalmarem e começarmos a montar as barracas. Já estávamos morrendo de fome, pois já se passava das 19hrs. Acendi a churrasqueira e prontamente coloquei as carnes, as barracas já estavam montadas e Vitor puxou a viola e começamos o nosso luau às margens do Rio Pacuí.

Foto: Daniel Mattos

Depois de muita resenha e brincadeiras, as meninas resolveram tomar banho e Gleidson como um “grande cavalheiro”, falou para as meninas irem tomar banho na “cachoeira” que ele tinha tomado banho com Talita (namorada dele). Eu sabia que não tinha cachoeira ali, e fiquei só observando. Lá foram todas as meninas para tomar banho na “cachoeira”, pouco tempo depois voltam todas as meninas revoltadas e mais sujas do que foram pro “banho” kkkkkkkk. Alguém já veio indagando e dizendo que a cachoeira era um tronco no meio do rio, que a água descia. Enfim, elas tomaram banho no rio um pouco mais acima de onde estávamos e sem cachoeira.

Após o banho das meninas, os homens ainda estavam pensando se iriam tomar banho pra dormir, tivemos a nossa primeira iniciação da LAULIMA. Fomos para dentro da gruta e comecei a explicar o significado do nosso grupo, como iriam funcionar todas as nossas expedições, atividades e inserimos mais 3 membros ao grupo. Gleidson, John e Walter foram convidados a participar da nossa equipe como membros ativos, e não apenas como participantes. Após esse momento, resolvemos tirar algumas fotos.

Várias mãos trabalhando junto.

Após as fotos já era mais de 1hr da manhã e tínhamos que ir dormir, pois alguns queriam acordar para pegar o sol nascendo. Vale o registro que os homens tomaram banho também kkkkk. Após o banho, limpamos todo nosso lixo e fomos dormir.

Nosso Camping

Passado a noite, às 4:30 da manhã Walter começou a gritar para acordar todo mundo, técnica que não deu muito certo, nenhuma alma saiu das barracas. Acordei às 5 da manhã para pegar todas as etapas da entrada de luz na gruta. Pouco tempo depois Daniel acordou, pegamos as câmeras e resolvemos ir tirar algumas fotos.

Voltamos ao camping 6hrs e aí assim acordamos todo mundo, pois tínhamos que acordar para tomar café e desfazer o acampamento. Todo mundo comeu muito bem, já que iríamos entrar na Toca da Barriguda, com 30km de extensão, que é a segunda maior caverna do Brasil. Arrumamos tudo nos carros e seguimos a estrada até Pacuí, povoado em que se encontra a Toca da Barriguda e a Toca da Boa Vista, com mais de 110km de extensão, que é a maior caverna da América Latina. Encontramos Jorginho lá, ele que iria nos guiar em nossa aventura. No caminho para a caverna, paramos em Dona Derli para encomendar o nosso almoço quando saíssemos da caverna e seguimos para a Toca da Barriguda. Chegamos à um ponto em que o carro tinha que ficar em uma porteira. Descemos e nos equipamos para a atividade, todo mundo de cabeça e com suas lanternas. Antes de seguirmos para a caverna, praticamos um pouco ecologia. John recebeu uma cobra que havia sido capturada e aproveitamos a situação para soltá-la de volta na caatinga.

Cobra sendo solta
Foto: Daniel Mattos

Na entrada da caverna, antes de entrar já temos nosso primeiro obstáculo, a umidade, o vapor que sai de dentro da caverna já começa a incomodar do lado de fora.

Entrada da Toca da Barriguda

Após 10 minutos lá dentro, a umidade já não era um problema, até porque a Toca da Barriguda é uma caverna muito ornamentada. A aflição pelo escuro também ia se desfazendo e as câmeras não paravam, todos queriam registrar os momentos e locais lá dentro.

Chegamos a um fóssil e Jorginho foi nos explicou a história daquele fóssil assim: “O paleontólogo que estudou esse fóssil se chamava Walter, e por conta disso esse fóssil ficou conhecido como o Veado do Walter”. Não deu outra, todos caímos na gargalhada e Walter ficou sem graça. Mas Jorginho continuou sério, então surgiu a dúvida se a história era real ou não. Alguns acreditaram e outros ficaram na dúvida. Uma coisa era certa, era um fóssil de um veado.

Explicação sobre o "Veado do Walter"
Foto: Daniel Mattos

Mais à frente encontramos outro fóssil, dessa vez um pouco maior. E lá foi Jorginho contar a história do fóssil: “Esse fóssil foi estudado pelo paleontólogo que se chamava Vilela, e é conhecido como a Preguiça do Vilela”. Caímos na gargalhada novamente e percebemos que Walter foi trolado. Kkkkkkkkkkkkkkk. A cada salão que passávamos todo mundo ia se maravilhando com tamanha beleza.

Salão do Sorvete

Chegamos até o salão do urso, que era nosso ponto final na Toca da Barriguda. Paramos para tomar um pouco de água e ouvir algumas histórias sobre a caverna. Fôlego retomado, fizemos o caminho de volta. Como tinha sido rápido o passeio, decidimos ir até a Toca da Boa Vista. Já estávamos ali e não podíamos perder a chance de alguns conhecerem a maior caverna da América latina. Então, voltamos para o carro e nos direcionamos para ela. Chegando na entrada da caverna, fomos surpreendidos com uma bela coruja que mora ali. Ela ficou se exibindo, indo e vindo voando sob a gente.

Foto: Daniel Mattos

Passamos pelo portão na entrada da caverna, e ali começou mais um desafio, a poeira fina que sobe ao andar pela caverna. Fomos seguindo e a beleza da caverna também impressionava com grandes espeleotemas. Chegamos no primeiro salão e voltamos, algumas pessoas já estavam se sentindo mal com tanto pó. Voltamos de volta ao carro, mas com aquele gostinho de quero mais.

Após a saída da Toca da Boa Vista
(da esq. p/ dir.: em pé Layanna, Mamá, Jorginho, John, Laira, Daniel. Agachado: Géssica, Valverde, Walter, Gleidson, Talita, Vilela e Thiago.)

Voltando para Pacuí, fomos direto para a nascente para tomar aquele banho. Chegando lá, mais uma vez nos deparamos com um local muito lindo, a nascente do rio Pacuí, um oásis no meio da caatinga.


O banho estava tão bom que ninguém queria sair, porém a fome também estava grande. Todos limpos, partimos para almoçar na casa de dona Derli. Todo mundo comeu muito, e a comida não acabava, acabamos vencidos pelo cansaço. Kkkkkk

Todos limpos e alimentados, era hora de voltar para casa. Nos despedimos de Jorginho e seguimos viagem e volta. Todo mundo fascinado e animado, pelos momentos que vivemos no final de semana. Porém, junto com a felicidade, voltou a apreensão da volta e os pneus carecas do carro alugado. Voltamos pisando em cacos de vidro de novo, mas nada que tirasse nossa alegria e bom humor. Cada parada era uma festa e mais um momento para contemplar um pouco mais do nosso passeio e da beleza da caatinga. Ainda fomos premiados por um por do sol belíssimo, onde o sol ia se pondo por trás da Serra do Mulato. 


Já chegando em Juazeiro, eis que surge o nosso último desafio, outro pneu do carro  furou. Mais uma vez tivemos sorte, pois o pneu furou quando já tínhamos sinal de celular. Conseguimos avisar todos os parentes, e não causar desespero em ninguém. Porém nada tirou o brilho do que vivemos. A expedição foi um sucesso, e já estamos preparando a próxima. Só tenho a gradecer a todos que ajudaram e participaram dessa aventura. E até a próxima.


Thiago Mattos


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