Nossa primeira expedição - Antes tarde do que nunca

Juazeiro, 09 de Abril de 2017.

A primeira expedição Laulima foi dividida em duas etapas: Camping na Ilha do Rodeadouro e descida de caiaque no esplendoroso Rio São Francisco. Altas expectativas e uma dose de ansiedade eram sentimentos que predominavam aqueles Indiana’s Jones. Havia quem respirava camping e caiaque, e também aqueles que teriam sua primeira experiência como desbravadores de seus próprios limites. No grupo, uma variante de personalidades, desde amantes da natureza até os shopping-loucos, cuja maior aventura é disputar o último Scarpin nude verniz na vitrine.

Chegamos na travessia do rodeadouro a espera da barquinha, como de costume avistamos barzinhos onde alguns frequentadores costumam socializar e desopilar (Isso porque não conhecem o Estilo Laulima de ser), e em um daqueles estabelecimentos tocava uma música, que ninguém conhecia a letra, mas que possuía uma melodia contagiante. Nossa integrante Mamá solta a deixa: - “Melhor essa barquinha chegar logo ou serei corrompida”. A fala foi suficiente para tirar muitos risos, felizmente a barquinha chegou logo, e ela continuo a jornada conosco. A travessia tranquila e segura- conduzida pelo “Galego de olhos azuis” kkkkkkkk- já foi nos transportando para a dimensão de pura contemplação, nos avexamos para chegar ao local de camping e então montar as barracas, pois o pôr do sol estava prestes a acontecer.  Posso afirmar com convicção que fomos agraciados pelo cenário, o momento foi um ritual de iniciação, onde a natureza decidiu abençoar a nossa primeira expedição oficial, como que se dissesse: Vão, eu vos dou minha bençoa!! O pôr do sol foi um espetáculo à parte, transformando gradativamente toda a paisagem, a sua luz alaranjada acariciava gentilmente o céu azulado, como que um beijo apaixonado, ao ponto que não se foi mais possível distinguir o que é céu do que é luz solar, e tudo tornou-se um só.  Humildemente, nosso astro feroz e delicado retira-se dando espaço ao luar. Foi um momento épico, cabendo à nós simplesmente contemplar e agradecer.  


No sortido portfólio de experiências e personalidades dos integrantes do grupo, havia quem que já vivenciara essa atividade, bem como aqueles marinheiros de primeira viagem. Bem, dois de nossos integrantes, Daniel e Sávio,  decidiram elevar o nível da vivência e saíram da Orla de Petrolina com destino ao local de camping no remo papai. Foram 10km rio acima, porque Laulima é hardwork, buscamos sempre superar nossos limites. Enquanto eles não chegavam, os presentes começaram a conversar sobre, acredite, variados temas e comer bem muito,  é claro!!! E até conhecer algumas das constelações foi possível graças ao Ace Ventura, amante dos animais e simpatizante da natureza John (sem Snow) hahaha.  Eu sinceramente até hoje busco lembrar quais eram os nomes das constelações apresentadas, mas isso é história para outra prosa. Entre uma conversa e outra, Thiago, de hora em hora, olhava o relógio e buscava ter notícias da dupla dinâmica que custava a chegar. A ideia era que,  assim que eles chegassem fizéssemos um joguinho valendo burpees, mas como a subida foi bem desgastante e também ficamos sabendo que a descida exigiria de um esforço gigante, decidimos sabiamente reservar os burpees para um outro momento.  Thiago fez um sinaleiro, porque ele também é garoto natureza, para identificar nossa localização aos meninos que estavam ainda por chegar. De longe já conseguimos avistar as luzes de suas lanternas, e logo Daniel começara a gritar. Fomos de encontro a eles, para dar aquela força e puxar os caiaques, enquanto que eles descreviam sobre a aventura, a qual podemos intitular de meia horinha. Foi assim que os meninos se motivavam para completar o desafio, daqui a meia horinha a gente chega, e de meia em meia deu-se 11 horas da noite até a chegada. Missão concluída rapazes! Agora é desfrutar do prêmio: uma macarronada feita ali mesmo, temperada com a luz do luar. Acredito que eles comeram perto de um quilo de macarrão, com ou sem exagero essa foi alimentação deles, fora as outras toneladas de comida que Daniel trouxe em sua mochila.



Aos poucos fomos guardando as comidas e nos encaminhando para as barracas para então dormir ou passar a noite, ao menos para mim foi passar a noite. Por que? Acampar é bom? Sim é maravilhoso, mas não é nada confortável, ou é mera questão de hábito e costume. Bom, acordei toda dolorida, com sono e cansada, mas mal vejo a hora do próximo acampamento chegar!! Rsrsrs

Fomos despertados por um bando de patos, as coisinhas mais lindas e fofas (desde que com certa distância de segurança), teve até quem os alimentasse!


Fomos desmontando as barracas e organizando os materiais para seguirmos com a expedição, estava próximo ao outro ponto alto da aventura a descida de caiaque. Mas antes tomamos um bom café, e como havia ducha disponível alguns tomaram um banho ali. Enquanto isso aguardávamos outros aventureiros, que não acamparam, mas queriam descer de caiaque. Encontramo-nos com eles e então a aventura recomeçava.

Quando falei que Laulima sempre nos inspira a superação de nossos limites e até mesmo medos, digo por causa própria, eu não sei nadar e nunca havia entrado em um caiaque sozinha. E meu temor aumentou porque arrastei minha irmã (Geciane) para a aventura, que também não sabe nadar, ou seja meu psicológico foi um pouco comprometido, pois me preocupava com ela a todo instante. Eu procurei não pensar muito nos meus medos, que eram muitos: de não conseguir completar o percurso, virar o caiaque, etc... Mas passei a visualizar apenas meu sucesso na jornada! Na verdade, fiquei bem mais tranquila quando Sávio disse que sabia rebocar caiaque, porém que esperava não ter que utilizar, pois requer muito esforço. Aos que ainda assim como eu não tinham andado de caiaque, Daniel em terra deu algumas instruções e orientou a todo o grupo a ficar sempre próximo das pessoas menos experientes. E então entramos no caiaque, no começo posso definir meu caiaque com o trem desgovernado, ele simplesmente não andava em linha reta puxava mais para a direita ou batia no caiaque de alguém, Sávio me ensinou a dar curvas, engatar a marcha ré, e então vrum, vrum, vrum!!! A aventura recomeçou.  Um total 12 caiaques, sendo um duplo.  



Na descida cuidados com proteção solar, hidratação e um lanchinho, fazem-se necessários para repor as energias. Durante o trajeto podemos contemplar mais e mais as belezas de nossa cidade, como também as coisas não tão belas assim, vimos muito lixo nas margens do rio, desmatamento e em alguns pontos, devido à seca que assola a região, muitos bancos de areia em todo o percurso do rio.  John, Sávio e Daniel começaram então a recolher os resíduos que encontravam, isso os deixou um pouco para trás, mas logo nos acompanharam no nosso pit stop para de descanso, a Ilha do Maroto. Essa parada é bem importante, pois é nela que fazemos um lanche mais forte, descansamos, alongamos, etc. Nesse momento descobrimos que o menino Treloso, Gleidson tem uma alimentação no mínimo questionável, acho que ele levou o maior número de biscoito recheado e barrinha de cereal com brigadeiro que alguém é capaz de comer. Como tudo no Laulima é compartilhado, acho que nunca comemos tanto Treloso na vida. Hahahaha


Depois do descanso, retomamos a jornada. E aí já estávamos exaustos e a facilidade de se descer a favor da correnteza nunca que chegava. Cansados e com a adrenalina normalizada, além de câimbras que alguns sentiram, eu sentia muitas câimbras nos dedos, o que dificultava a remada, precisava parar de instantes em instantes. Obviamente que se passava na mente de cada um era o de chegar ao ponto final. Mas calma só mais meia horinha e chegaremos! Hahahaha. Quando finalmente avistamos a chegada um sentimento de conquista e vitória ( é nesse momento em que se toca a música Conquistando o Impossível- kkkkk), Mais uma experiência e vivência para contarmos à segunda geração Laulima. Avistarmos à chegada nos encheu de entusiasmo e motivação. Foram 10 km de remada e as dores, cansaço e até aquele bronze nada charmoso no pé, foram recompensadores para nós.

Isso é Laulima!

Isso é amor pelo o que fazemos e somos!

Isso é superação!


Até a próxima expedição galera, nos encontraremos em alguma trilha na caatinga, pé e topo uma de serra ou na escuridão de uma caverna!!


Géssica Nery.

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