Serra do Mulato - A rota a ser esquecida

Na nossa última expedição à cachoeira do salitre, passamos longe da serra, mas de lá já víamos o seu tamanho e imaginávamos a beleza que seria subi-la. Então decidimos encará-la.  Nossa expedição já começou com alguns caminhos errados ainda dentro do carro, talvez fosse um sinal. Demoramos mas chegamos ao ponto onde deixaríamos o carro.

Aventureiros da esq. para dir. Thiago, Géssica, Mamá, Vilela, Gleidson e Walter.

Tínhamos uma trilha no GPS onde iríamos arrodear as serras menores até chegar na que queríamos subir, porém recebemos uma indicação que seria melhor pelo outro lado, e aí que começou o nosso perrengue. Começamos a subir a primeira serra às 9:20hr, até então tranquilo, trilha feita. Chegamos a um riacho seco muito bonito que nos fez pensar um pouco na quantidade de água que já havia passado por ali.




Começamos a subir a segunda serra, mas vimos que estava fechando muito, decidimos voltar ao rio e dar a volta na serra subindo o rio seco. Chegamos ao um ponto em que era preciso subir e encarar a mata fechada. Já que não tinha jeito, lá fomos nós. Na subida, Vilela não cortava o que estava verde, estava com “dó das plantinhas”. Desenvolvemos bem essa subida, até que chegamos ao topo da segunda serra, porém nos deparamos com um paredão em que não era possível descer por ali, então decidimos parar para hidratar, fazer um lanche e apreciar um pouco da beleza daquele local.



Walter viu uma possível descida através de umas pedras e seguimos até o ponto, preparados para descer, descemos de um em um, pois tinha muita pedra solta e o risco de pedras rolarem era alto. Depois de todos descerem, começou o trecho mais complicado, logo no inicio Géssica já esbarrou em uma cansanção e começávamos o trecho do desespero. Uma descida sem fim, uma caatinga muito fechada e muita, mas muita favela, urtiga e cansanção. E foi inevitável, todos fomos sorteados, em algum momento, com um abraço por uma dessas “plantinhas bonitinhas”. O desespero já começando a aparecer, Mamá e Walter decidiram começar a cantar. Deu uma amenizada, mas logo eles pararam. A descida parecia não acabar nunca, e em um momento Walter saiu correndo e gritando, cortando mato, literalmente nos peitos, nesse ponto a pena que Vilela tinha das "platinhas bonitas" já não existia (kkkkkk). Retomando a calma, todos riram e continuamos descendo. Logo após as risadas, um espinho de cacto furou a minha bota e furou o meu pé, não conseguia dar nem um passo, parei e fui tentar tirá-lo. Deu um pouco de trabalho, já que ele ficou fincado na bota e saiu dentro dela. Tirado o espinho, estava tudo certo, continuamos a decida e nesse ponto já nos indagávamos se valeria a pena subir a serra.

Cacto nascendo na pedra

Enfim, chegamos a uma área aberta, demoramos mais de 2 horas para fazer essa descida. Paramos, fomos almoçar e descansar um pouco. Não queríamos desistir, então seguimos com o objetivo e começamos a pegar a rota para subir a serra. Andamos uns 2km e chegando ao pé da serra, verificamos a quantidade de água e o cansaço. Tristes, mas com consciência das consequências de continuar, já era 14:20hr, decidimos abortar a subida e pegar o caminho de volta. Dessa vez pegamos a rota do GPS, marcava 6km até o ponto em que deixamos o carro (já tínhamos andado 7km). Voltando pela trilha do GPS, percebemos o quão fomos infelizes em seguir a outra rota, mas também ficamos otimistas em conseguir subir a serra quando voltarmos por esse caminho para lá.



Os sinais de cansaço já estavam evidentes, Gleidson estava tendo câimbra nas duas pernas, Walter estava sentindo a perna esquerda e eu estava sentido muita dor no pé em que tinha pisado no espinho, mas a vontade de chegar era maior que a vontade de descansar. Seguimos e avistamos o ponto de inicio. Chegando lá, Vilela me solta a seguinte frase “Olhando agora, eu lembro essa trilha”, ele esperou a gente andar 7km errado e 13km no total para dizer que conhecia e trilha certa, tiramos uma onda com ele e fomos pro carro.



Todos se desequiparam e fomos embora, achando que a aventura tinha acabado, quando chegamos à porteira, estava fechada e o caseiro disse que a chave estava embaixo de uma pedra embaixo de um pé de umburana. O problema é que o lugar tinha mil pedras, começamos a caça ao tesouro, nesse momento eu já não conseguia pisar no chão e o pé já tinha começado a inchar. Nessa brincadeira de procurar a chave, perdemos mais de 1hr e já passava das 18hrs. Enfim achamos a chave e fomos para casa, com um pouco de frustração, mas otimistas que pelo caminho certo a trilha fica “tranquila” de se fazer.

Juazeiro, 13/05/2017

Thiago Mattos

Comentários

  1. Kkkkkkkkk.... melhor descrição impossível.
    Foi pesado, desesperador... mas na próxima esse placar (mulato 1 x 0 laulima) vainl mudar!!

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